Michelle Bolsonaro, Sophie Cunningham e Erika Hilton dividiram espaço nas buscas e nas redes sociais nesta semana, três nomes que, à primeira vista, não têm nada em comum. Mas os três acabaram no centro do mesmo debate, o de quem tem legitimidade para falar em nome das mulheres, e o que essa disputa revela sobre o momento político que o Brasil e os Estados Unidos atravessam. Entramos nessa conversa aqui no Mente & Bolso não para fazer campanha, mas para contar o que está por trás dela, com as fontes que embasam cada trecho, e para dizer com transparência o que pensamos sobre o tema.
A candidatura de Michelle ao Senado pelo Distrito Federal
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) teve sua candidatura ao Senado Federal pelo Distrito Federal oficializada no domingo (2), durante a convenção do PL em Brasília. O anúncio foi feito em um discurso lido pelo irmão dela, Diego Torres, já que Michelle não compareceu ao evento. "É por isso que aceitei esse desafio. Sou pré-candidata ao Senado. Meu marido escolheu o Flávio para estar à frente dessa multidão e vamos caminhar juntos e a passos largos. Queremos justiça de verdade", dizia o trecho lido por Diego. A carta também definiu a candidatura como "o começo de uma caminhada para devolver esperança e liberdade".
A ausência de Michelle tem explicação de saúde. Na noite de sábado (1º), ela afirmou ter sido internada para passar por exames por causa de uma enxaqueca persistente. Se tivesse comparecido, teria sido a primeira aparição pública ao lado do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente, com quem ela viveu uma briga pública por motivos políticos. Os dois sinalizam reconciliação em prol da eleição, mas ainda não apareceram juntos publicamente.
Além de Michelle, o PL também oficializou a candidatura ao Senado da deputada federal Bia Kicis. As duas devem apoiar Celina Leão (PP), atual governadora do Distrito Federal, na disputa pelo Palácio do Buriti.
Sophie Cunningham e o debate sobre mulheres no esporte
Do outro lado do mundo, outra mulher virou notícia por um motivo parecido: a defesa pública de um espaço que ela considera genuinamente feminino. Sophie Cunningham, jogadora do Indiana Fever na WNBA, a principal liga de basquete feminino dos Estados Unidos, vem sendo criticada desde 2022 por se posicionar contra a participação de mulheres trans em competições femininas, na época em que compartilhou uma crítica à vitória de Lia Thomas, atleta trans, em uma competição universitária. Nas redes sociais, ativistas passaram a chamá-la de "MAGA Barbie".
Em entrevista à ESPN, Cunningham respondeu às críticas: "Nunca disse odiar pessoas trans. Acho que estou aqui para espalhar amor. Mas também acredito que, junto com o amor, vêm a verdade e a honestidade. Quero proteger as meninas nos vestiários e no esporte, que não deveriam ter que competir contra homens biológicos", afirmou.
O caso ganhou peso institucional depois que a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, em 30 de junho, que os estados têm autoridade para proibir meninas e mulheres trans de competir em equipes femininas escolares e universitárias. A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, saiu em defesa da jogadora: "Esse também é um tema sobre o qual o presidente tem uma posição muito firme, assim como o povo americano: que homens não deveriam participar de esportes femininos. É completamente absurdo que alguém apoie isso", disse. Leavitt reforçou ainda: "Trata-se de um fato biológico básico: homens não deveriam competir contra mulheres em campos e quadras esportivas em todo o país."
A disputa pela Comissão da Mulher, na Câmara dos Deputados
No Brasil, uma polêmica parecida tomou o Congresso. Em 11 de março, a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) foi eleita, por 11 votos, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara, no seu primeiro mandato na Casa. Ela é a primeira mulher trans a presidir o colegiado.
A reação do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) veio no mesmo dia: ele republicou um discurso seu de 2023, feito na tribuna da Câmara em homenagem ao 8 de março, no qual aparece usando peruca loira e afirma se identificar como mulher trans para criticar o tema, dizendo que "mulheres estão perdendo seu espaço para homens que se sentem mulheres". A publicação veio com a legenda "eu avisei". Vale registrar, por precisão, que esse mesmo discurso de 2023 já havia rendido a Nikolas uma condenação de R$ 200 mil por dano moral coletivo na Justiça do Distrito Federal, decisão ainda em tramitação na segunda instância, em que a juíza responsável classificou a fala como discurso que descredibiliza a identidade de gênero de pessoas trans.
No dia seguinte, Nikolas escalou o tom e convocou outras parlamentares a agir: "As deputadas mulheres não deveriam deixar a comissão de mulheres acontecer. Obstruir e fazer uma zorra até mudar a presidência. É o cúmulo aceitar isso", declarou, ao lançar um abaixo-assinado pela "representatividade feminina na presidência da Comissão da Mulher".
A crítica voltou à tribuna em julho, durante um discurso contra o chamado PL da Misoginia. Nikolas ironizou o debate: "Você não pode criticar um homem biológico que é presidente da Comissão da Mulher, porque senão é misoginia. Você não pode criticar o projeto de misoginia, senão é misoginia. A gente deve estar sem preocupação mesmo no Brasil hoje, né?", disse. No mesmo discurso, defendeu que segurança pública, e não legislação sobre misoginia, é o que protege as mulheres: "O que protege as mulheres é não deixar estupradores e pedófilos saírem da cadeia. O que protege é um fuzil", afirmou.
Nossa posição, aqui no Mente & Bolso
Vale dizer com transparência onde estamos nessa conversa, porque um site que fala de dinheiro, saúde e decisões de vida também tem valores por trás do que publica. Aqui defendemos o respeito a todas as pessoas, sem exceção. Ao mesmo tempo, partimos de uma visão cristã: entendemos que homem é homem e mulher é mulher desde a origem, e que cirurgia ou tratamento hormonal não altera essa base biológica dada por Deus. É por isso que entendemos, e até compartilhamos, o desconforto de quem questiona a ocupação de espaços pensados especificamente para representar mulheres por parte de quem não nasceu mulher. Reconhecer essa diferença de visão, achamos, é mais honesto do que fingir neutralidade.
Esse pano de fundo ajuda a explicar por que a candidatura de Michelle Bolsonaro ganhou tanta força nas buscas nesta semana. Para uma parte do eleitorado, ela representa uma ideia específica de mulher na política, ligada à família, à fé e a um posicionamento claro em temas como esses, às vésperas de uma eleição que deve ser marcada justamente por essa disputa de valores. Conhecimento que transforma a mente e reposiciona a vida também passa por entender o que está em jogo em debates como este, e formar a própria opinião com informação de verdade, não só com a versão que aparece primeiro na sua rede social.
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Entrar em contatoFontes consultadas neste artigo:
- CNN Brasil: candidatura de Michelle Bolsonaro ao Senado pelo Distrito Federal.
- Gazeta do Povo: caso Sophie Cunningham e a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre atletas trans no esporte feminino.
- Congresso em Foco: discurso do deputado Nikolas Ferreira sobre o chamado PL da Misoginia.
- Correio Braziliense e Metrópoles: disputa pela presidência da Comissão da Mulher e a condenação de Nikolas Ferreira por dano moral coletivo.